Disney comete um grande erro com novo filme de Frozen

O novo curta-metragem de Frozen, Once Upon a Snowman, busca expandir a história de Olaf e, com isso, prova que a Disney não sabe focar no que realmente importa dentro desse universo.

Olaf é um personagem bastante popular e, não por acaso, já ganhou outro curta, Frozen: A Aventura Congelante de Olaf. A ideia de ambos os curtas é basicamente apelar ao público, uma decisão pensada exclusivamente no lucro e não na expansão da mitologia da franquia em si.

Uma das grandes críticas acerca de Frozen 2 é justamente a inclusão de novos elementos que são deixados em aberto, com o aprofundamento do universo basicamente feito às pressas. Curtas funcionariam para explicar ou enriquecer diversos desses novos pontos introduzidos na continuação.


Ao invés disso, temos um curta que deixa bem claro por que não vimos anteriormente o que acontece entre a criação de Olaf e seu primeiro encontro com Anna: porque isso não importa, não acrescenta em nada.

Um curta de Frozen poderia, por exemplo, focar na floresta Encantada, Ahtohallan, nos Northuldra, dentre vários outros elementos não devidamente contemplados nos longa-metragens. No fim, ganhamos obras que nada acrescentam.

Final diferente

Frozen foi amplamente elogiado por focar no relacionamento entre Anna e Elsa, ao mesmo tempo em que deixava os relacionamentos românticos em segundo plano.

No entanto, a história original de Frozen, baseada no conto de fadas de Hans Christian Andersen “A Rainha da Neve”, cortou a relação entre as irmãs e transformou Elsa na vilã.

O final original de Frozen teria sido um final pior que tornaria o filme menos satisfatório.

Enquanto Frozen acabou sendo uma história sobre duas irmãs se unindo e perseverando sobre o medo, o produtor Peter Del Vecho revelou à EW em 2017 que a ideia original era muito diferente.

Frozen foi concebido com Elsa como a vilã, uma rainha da neve com um coração congelado e objeto de uma profecia que dizia que “um governante com um coração congelado trará destruição ao reino de Arendelle”.

Embora Anna ainda fosse a heroína de bom coração, Elsa não seria mais parente dela, e a tensão entre elas se transformava em bem contra mal.

O final original de Frozen teria mostrado Elsa parando o vilão de Frozen, Príncipe Hans, o verdadeiro sujeito da profecia – e descongelando seu coração congelado, recuperando sua habilidade de amar.

Um grande problema com a premissa original de Frozen era centrar um filme em torno de uma personagem antipática, a malvada Rainha da Neve, e fazer o filme sobre o bem contra o mal.

Na versão final de Frozen, o público naturalmente fica muito ligado ao desenvolvimento de Elsa – as pessoas reconhecem que a cada passo ela está tentando fazer a coisa certa e se solidarizam quando ela fica dividida entre o medo de seu poder e o amor por sua irmã.

No final das contas, sua compreensão de que ela precisa amar a si mesma e a sua irmã se torna a maior história de amor de Frozen. A concepção de Elsa como uma vilã de coração congelado a torna insatisfatória e impossibilitaria a recepção simpática de seu crescimento.

No final original, quando o coração congelado de Elsa é finalmente descongelado, não teria havido uma recompensa, já que o público nunca se importou com ela em primeiro lugar.

Outro grande problema no enredo original de Frozen era não relacionar Anna e Elsa.

Tirar o relacionamento familiar entre as irmãs reduz significativamente o arco de Anna, pois ela se torna uma heroína unidimensional sem a complexidade adicional de enfrentar sua irmã.

Transformar Anna e Elsa em irmãs adiciona dimensão ao relacionamento delas e às personagens individualmente; faz com que o final do arco de Anna seja satisfatório quando é o amor de Elsa que derrete seu coração congelado.

Esse relacionamento também adiciona complexidade ao tema do bem contra o mal, transformando a tensão no filme em medo contra amor, e como as irmãs navegam nesse medo quando têm medo de machucar a pessoa que amam.

O final original de Frozen teria feito um filme muito diferente e tornado “Let It Go” uma canção de vilã – e teria sido pior.

Centrar Elsa como uma vilã de coração frio com a intenção de destruir Arendelle tira a recompensa emocional quando ela finalmente supera seu coração congelado.

Retirar o relacionamento entre as irmãs reduz o filme a uma luta entre o bem e o mal, em vez de lidar com temas mais complexos sobre família e amor, e o medo que vem com isso.

Os arcos de personagens de Anna e Elsa são pouco envolventes no final original, em uma narrativa muito menos satisfatória. Transformar o filme em uma história sobre duas irmãs superando seu medo enquanto tentam fazer a coisa certa fez do final de Frozen o final perfeito e satisfatório.

No Brasil, Frozen e Frozen 2, da Disney, estão disponíveis no Amazon Prime Video.

via Observatório do Cinema

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