HQ Corsários: Uma obra de arte que você precisa conhecer

Ahoy! Conheça a graphic novel Corsários

História, fantasia, ficção e… piratas! Conversamos com Samuka Marinho, fotógrafo e ilustrador por trás da obra de arte que é a HQ Corsários. O projeto, desenvolvido apenas por uma pessoa no período de dois anos e buscou financiamento coletivo no site Catarse.

Confira nesta entrevista um pouco mais sobre a obra de Samuka Marinho.

1 – Conte um pouco do enredo do Projeto Corsários.

Samuka Marinho: A partir de eventos reais, o projeto apresenta uma ficção histórica em homenagem aos 300 anos da fase mais intensa da chamada Época de Ouro da Pirataria. Tudo acontece durante um único dia, que é suficiente para vilões virarem heróis e heróis virarem vilões, mas um tempo muito curto para se descobrir o que é ser um ou o outro.
Um corsário de renome decide interromper o tráfico triangular de escravos entre a Europa, as colônias e a África. A Inglaterra envia, então, um navio de guerra para averiguar boatos sobre a insurreição pirata. Esse é o pano de fundo onde os personagens se encontram. Muitos defendem ideais, outros executam incumbências e alguns apenas buscam aventuras.

2 – O que te motivou a criar uma história sobre piratas?

SM: O projeto começou totalmente por acaso. Eu comprei uma câmera e queria fazer algumas sessões temáticas. Velho oeste, gangster, pirata. Então comecei pelo o que pensei ser a mais fácil. A maior vantagem é que na maioria das fotos eu não precisaria de uma pós-produção, já que o aspecto do tema pirata é sujo, roupas amassadas, pele sem nenhum cuidado especial. Seria só fotografar os modelos em fundo cinza e sem maquiagem, recortar e aplicar no background. E foi bem isso que aconteceu, optei por ficar mais tempo atrás da câmera do quê na frente do computador. Foram mais de 400 cenas no total. Se não fosse dessa maneira eu não conseguiria seguir o cronograma de 6 meses em cada etapa do projeto: Produção, fotografia, pós-produção e editoração dos quadrinhos.

3 – Você é ilustrador e fotógrafo. Qual foi o fator decisivo para você optar em criar uma graphic novel fotográfica?

SM: Não gosto mais de desenhar como eu gostava antes, talvez porque hoje eu veja desenho como um job e não como um hobby.
Sempre gostei muito de quadrinhos e sabendo desenhar, já iniciei vários projetinhos de quadrinhos ilustrados, mas nunca concluí nenhum. Além disso, não gosto de desenhar pé e nem de desenhar arquitetura, sempre fazia primeiro as cenas de ação (com todos os personagens com as mãos fechadas). Quando era para desenhar os personagens em cenas domésticas era muito chato, principalmente quando apareciam os pés. Mas eu não escolhi fazer o quadrinho com fotografia só por não saber desenhar pés, na verdade a ideia do projeto nem era para ser uma Graphic Novel. Eu criei cada cena como frames de um filme. Só quando eu pensei em imprimir tudo foi que eu percebi que a única maneira de não ter que imprimir um livro muito grosso seria colocar mais de uma cena por página. Como as fotos seguiam a narrativa de um roteiro, foi fácil adaptar as falas nos balões.

 

4 – Qual foi a maior dificuldade encontrada na elaboração do projeto?

SM: A pior parte foi me manter motivado. Cada etapa foi levada ao grau máximo de minha capacidade e exaustão. Capacidades que não sabia que eu tinha. Desenhei e construí os cenários sozinho, desenhei e costurei mais de 50 figurinos. Na verdade posso até mesmo colocar a fotografia como uma dessas novas capacidades. O Projeto Corsário foi o meu primeiro ensaio, minhas primeiras fotos. Quando percebi que depois de 6 meses construindo e produzindo tudo, eu estava apenas no início do projeto, foi preciso muito entusiasmo.

5 – Para projetos futuros, você pretende se submeter a uma editora ou continuar trabalhando de forma independente?

SM: A ideia é continuar produzindo e aprendendo. Se isso vai virar um processo contínuo, com data de entrega ou se vai ser feito de acordo com minha inspiração e entusiasmo (tempo e grana), eu não sei. Nunca tive a pretensão de ser quadrinhista, mas, também, nunca pensei que eu pudesse construir cenários ou produzir figurinos completos. Então vou deixar que as coisas aconteçam. Eu descobri que a fotografia é um caminho que quero seguir. Aparecendo atalhos, vou por eles.

             

            

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