Crítica | Viva – A Vida é Uma Festa: Animação volta a emocionar

Viva é a animação Disney/Pixar mais cativante dos últimos tempos!

Viva – A Vida é uma Festa, dirigido por Adrián Molina e Lee Unkrich, é mais uma animação Disney/Pixar, lançada nessa época (entre novembro e janeiro) como já vemos normalmente, atraindo sempre boas bilheterias e brigando por prêmios (leia-se abocanhando melhor animação, e às vezes, trilha sonora). Dessa vez, mesmo usando de elementos de trama, bem similares de animações de sucesso, que envolveram Unkrich (Toy Story, Vida de Inseto, Universidade Monstros e Procurando Nemo), a carga emotiva, sem ser apelativa ou sentimental, é o motor fuerte e dá muita Vida ao longa que fala de morte e flui como uma sinfonia.

Além de Favorito no Oscar, foi vencedor no Globo de Ouro e no Critic’s Choice Awards, que abriram a temporada de premiações deste ano.

Resumindo: uma animação da Disney volta a ser tocante.

Indo dos clássicos, até o mais recente Toy Story, a fama das animações Disney de nos fazer chorar sempre se popularizou. Mas parece que Viva consegue ter uma incisão que não via desde os Incríveis. Apesar dos últimos e excelentes Zootopia e Divertidamente com o jeito e animação pela Pixar, e Frozen e Moana, pela Walt Disney Animation Studios com as sempre presentes princesas Disney, Viva para mim se coloca uma prateleira acima dos demais.

Ay caramba! que inspiração musical é essa!?

De acordo com Molina, ele sabia no início do processo de escrita que queria que a história e a música se inspirassem umas nas outras.

“Eu acho que esse é o caminho certo para fazer isso”, Adrián Molina.

O longa animado tem uma engrenagem musical muito engenhosa nos seus mínimos detalhes. Toda música característica de Día De Los Muertos foi estudada e colocada lá tanto pelos artistas instrumentais, quanto pelos personagens animados, que reproduziram até os acordes de acordo com a realidade.

“Para este filme em particular, muito disso veio de pesquisa sobre a diversidade da música mexicana. Há todos os tipos de estilos, conjuntos e músicas diferentes, então nós ouvimos muito e nós realmente temos um monte de músicas folclóricas clássicas que gravamos no México para poder preencher o mundo, mas nós também usamos isso como inspiração para as músicas que são realizadas porque muito do filme e da narrativa é sobre ser músico, tocar como músico e saber usar essa voz “.

Arriba Miguel! Vá viver seu sonho!

Já que entramos no papo da música, podemos adentrar a trama. Tudo começa quando uma família que respirava música, vê seu Papá (papai) largar filha e esposa para ganhar o mundo vivendo do seu talento musical. A partir dessa dor, a Mamá (mamãe) Imelda decide focar no ramo da sapataria. E dá certo. A partir daí se estende esse legado a toda família Rivera, que vive feliz assim, porém com uma proibição: Música nunca mais. Nem de passarinho, nem de bater copos.

Aí que mora a agonia e ansiedade (nossa também!) do nosso protagonista , o menino Miguel (Adrian Gonzalez), bisneto de Lupita (ou Mamá Coco no original. Entenda aqui), que é filha daquele Papá que abandonou a família por causa da música, e hoje é rejeitado inclusive das fotos e memoriais da família. Apesar de tudo isso Miguel um chamaco (gíria para garoto no México) determinado e muito esperto que alimenta de forma escondida uma paixão por música, onde ele se espelha em Ernesto de La Cruz, seu ídolo e  maior artista de todos os tempos na animação.

Bem no início, tudo se explica e mediante aos acontecimentos no Día De Los Muertos, Miguel se vê inclinado a seguir, de uma vez por todas, o seu sonho apesar da imensa rejeição da família, seguindo em sua jornada com seu cachorro fiel Dante. E mais pra frente terá Hector, uma caveira muy loca interpretada por Gael Garcia Bernal, que entrega um personagem complexo e muito irreverente que juntará forças e objetivos com nosso menino no mundo dos mortos. Sim, ele irá atrás de seu ídolo por um motivo bem especial.

Filme funciona como música, literalmente.

Qualquer detalhe muito além disso aí pode atrapalhar sua experiência por isso vou antecipar o que posso: O desenvolvimento dessa jornada é muito cativante e coeso. Os personagens desde os principais aos coadjuvantes são bem intencionados e com funcionalidade dentro do contexto que são inseridos. As características são muito bem divididas e não tem ninguém ali sem função e com reações infundadas. Inclusive temos referências a celebridades mexicanas famosas até Frida Kahlo, que você pode conferir nesse link.

Provavelmente, não quebrará recordes de bilheteria, nem venderá muitos artigos ou bonecos, pois não tem o viés de marqueteiro de um Blockbuster de um Toy Story e Incríveis, e não tem a carga de identificação poderosa. Ainda mais com uma “cultura espiritual” diferente das demais, nesse parte se equiparando com Moana, principalmente quando se tem na maioria do Ocidente, a morte com um sentimento de perda e luto.

Viva

A gente não lembra, mas a Morte é parte da família da Vida

Com uma narrativa emocionante, plots inesperados e diversão para todos, Viva – Vida é uma Festa é na minha visão, a animação mais completa da Disney/Pixar. Movimentação, imersão do espectador e riqueza de detalhes, desde os cenários reproduzidos ao rosto de Lupita ou Coco, nome do filme em inglês e prova mais nítida da evolução do arsenal gráfico das animações atuais.

Mesmo que não haja uma imensa identificação global aos carismáticos elementos do longa, e seus destinos, deve finalmente transmitir a emoção genuína por tanto tempo deixada de lado nos últimos desenhos. Contudo, dentre tantos paradigmas e profundas lições de vida, o filme é uma evolução nítida e preparação do terreno para animações cada vez mais Vivas.

Para encerrar deixo com vocês a canção que concorre o Oscar e entoa parte da trama: Remember Me. O grande sucesso de Ernesto de la Cruz na voz de Miguel, cantor de R&B americano de ascendência mexicana,  (Sim! é o mesmo nome do nosso protagonista) com Natalia Lafourcade.

FICHA TÉCNICA:

Coco
Coco (PT)
Viva – A Vida é Uma Festa (BR)

Pôster promocional

 Estados Unidos
2017 •  cor •  109 min
Direção Lee Unkrich
Codireção Adrian Molina
Produção Darla K. Anderson
Roteiro Adrian Molina
Matthew Aldrich
História Lee Unkrich
Adrian Molina
Jason Katz
Matthew Aldrich
Elenco Anthony Gonzalez
Gael Garcia Bernal
Benjamin Bratt
Alanna Ubach
Renée Victor
Ana Ofelia Murguía
Edward James Olmos
Gênero Comédia
Aventura
Fantasia
Musical
Companhia(s) produtora(s) Walt Disney Pictures
Pixar Animation Studios
Distribuição Walt Disney Studios Motion Pictures
Lançamento México 20 de outubro de 2017 (Morelia)
Estados Unidos 22 de novembro de 2017
Portugal 23 de novembro de 2017
Brasil 4 de janeiro de 2018
Idioma Inglês[1]
Orçamento US$ 175–200 milhões[2][3]
Receita US$ 623,4 milhões[4]
Site oficial
Página no IMDb (em inglês)

 

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