Tormenta 20: Uma homenagem ao universo RPG brasileiro

Arton é um mundo de problemas. E sempre precisará de heróis para salvá-lo.

Em 1999 nas páginas da revista Dragão Brasil nº50, lançou-se num encarte de 80 páginas, o mundo de Tormenta. O continente de Arton foi moldado aos poucos. Desde a primeira edição da revista, os autores lançavam uma aventura genérica, um personagem, um item, dentre outras coisas que compõe as mesas de RPG. Agora em 2019, o cenário comemora os seus 20 anos de existência. E ao longo desse período, arcos foram fechados e novas ameaças surgiram.

O novo livro básico se chama Tormenta 20 e no dia 10 de maio às 12:00 começou o financiamento coletivo no Catarse. A força dos fãs do cenário, fez com que a plataforma caísse com o excesso de acessos, e em uma hora, a meta de 80 mil reais foi batida e em um dia as metas extras originais foram alcançadas arrecadando mais de 300 mil reais. Nos próximos dias, a Jambô criou novas metas a serem alcançadas e conseguiu arrecadar mais de 600 mil reais ao longo da primeira semana, mas recentemente, como é normal nos financiamentos coletivos, essa força diminuiu e vamos esperar no decorrer desse mês, o quanto será arrecadado. No dia 22 de maio, começou as votações para raças extras no cenário. As primeiras quatro opções são Trog, Bugbear, Orc e Meio-Ogro. Parar votar basta participar do financiamento coletivo pagando 10 reais (não inclui livros e metas extras). E o meu apoio vai para os Trogs porque eles são uma raça clássica para o cenário (pela publicação de Holy Avenger). E manter o clássico é o caminho correto para manter a cara original do cenário.

Sobre o jogo, teremos ainda como base a velha D20 do D&D 3º Edição, contudo, teremos regras mais fáceis e simples.

Algo inovador que pode chegar a esse novo módulo básico é a regra de vantagem/desvantagem. O que é isso? Vindo da 5º edição de D&D, essa regra visa a simplificar determinadas situações do combate. Antes numa jogada de ataque, por exemplo, além de aplicar os modificadores normais como vou explicar mais abaixo, também podiam entrar modificadores das fontes de magia, talentos, itens mágicos, habilidade de classe, tamanho da criatura, manobras de combate etc. Isso deixava o jogo longo, com um extenso cálculo a ser feito no meio da partida. Isso tornava as coisas maçantes e os jogadores longes das mesas de RPG. Com essa regra, se um determinado personagem ganhou vários modificadores durante o seu ataque ou feito e tem clara vantagem contra o adversário, ele joga o 1d20 duas vezes e fica com o melhor resultado aplicando apenas os modificadores padrões. E o inimigo que está em desvantagem, rola 1d20 duas vezes e fica com o pior resultado. Isso corta a massa de cálculos que tínhamos de fazer durante o combate e facilita bastante às coisas. Óbvio que gostamos de um pequeno bônus ali e aqui, mas a ideia central é enxugar as regras para facilitar nossas vidas.

E se fizemos uma análise simples da situação, dá pra saber até mesmo se a vantagem/desvantagem não se anula. Como assim? O D&D 5º edição, dá um exemplo simples: Se o monstro num corredor qualquer da masmorra ta caçando um mago e ele está em fuga, o monstro tem vantagem nos testes contra o mago e o mago tem desvantagem contra o monstro. E no meio do caminho dois capangas no fim deste corredor preparam uma armadilha contra o mago. No entanto, o mago tem alguma perícia, habilidade, magia, talento, item que lhe dá vantagem em saber da ameaça dos capangas antes de chegar ao local exato onde será emboscado. Como podemos ver, neste corredor, os capangas junto do monstro tem vantagem pela emboscada contra o mago, mas o mago já sabe que alguém ou alguma coisa pode tentar fazer algo contra ele mais a frente no trajeto dando-lhe vantagem contra os capangas e talvez o monstro. Numa análise simples, sem muito raciocínio, simplesmente anulamos todas as vantagens e desvantagens e as jogadas serão simples 1d20 com modificadores padrão. E não ficamos perdendo tempo com cálculos maçantes e inúteis que podem até não nos levar a lugar nenhum.

 As perícias treinadas ou não terão o valor fixo igual à metade do nível. O bônus nas jogadas de perícias treinadas terá um valor de +4. O problema nos D20 em relação a isso é que o valor das perícias treinadas era igual a seu nível +3 e as perícias não treinadas eram metade do nível. Nos níveis mais avançados os valores nas suas jogadas contra os testes de perícias do oponente ou o inverso, tendiam a ser gritantes porque nem sempre se continha treinamento naquela perícia. A disputa era injusta não dando nenhuma margem para evitar as consequências que viriam após a falha em se defender. Outro problema era quando um grupo, por exemplo, queria invadir uma fortaleza inimiga. O ladino tinha valores altos na perícia para conseguir se infiltrar no território inimigo, mas e se o restante do grupo não fosse treinado e os valores fossem tão baixos que nem valesse a tentativa de jogar os dados? Eles simplesmente decidiam tomar outro rumo para invadir a fortaleza e o próprio ladino ficava prejudicado porque nunca tinha a chance de usar suas próprias habilidades. Isso era algo muito frustrante.

Os testes de resistência devem sair se tornando perícias de classes. Testes de Vontade serão englobados com a perícia Intuição. Reflexos serão englobados com Iniciativa. Só o destino do Fortitude que permanece nebuloso, nós não sabemos se será uma perícia isolada, se será englobado com Atletismo por ser tratar de resistência física, ou se os testes de resistência vão continuar do jeito que sempre foram. As diferenças nos seus usos além de serem mínimas podiam às vezes deixar os jogadores confusos. Iniciativa, por exemplo, é usado para determinar quem joga primeiro nas rodadas de combate, assim como sua maestria de reação para sacar sua arma. Reflexo era usado para ver a sua reação em evitar totalmente ou parcialmente ataques, magias ou habilidade que necessitava dessa jogada. Se iniciativa e reflexos são praticamente iguais em seus usos, porque simplesmente não unificar as coisas? Essa mudança é muito bem-vinda, pois além de facilitar, enxuga a ficha de personagem que de forma geral é complexa.

Outra mudança positiva é que todas as classes terão PV e PM. Por quê? Porque isso ajuda a simplificar mais a ficha de personagem. Antigamente se tinha vários montantes para várias coisas diferentes. Vou usar como exemplo o Paladino: ele tem a habilidade de classe Destruir o Mal que era usada uma vez ao dia e a cada três níveis você ganhava um uso diário adicional. Na habilidade de classe Cura pelas Mãos e Canalizar Energia Positiva, o uso diário é determinado em 1+ seu modificador de Carisma, fora as magias da classe que eram determinados por 1+ modificador de Sabedoria. Na prática isso deixa a ficha inchada, complicada e é muito chato ficar controlando vários montantes ao mesmo tempo. Nessa nova regra, todas as habilidades de classes e magias terão de serem gastos em PM que vão estar num único montante. Isso facilita nossas vidas e determinamos simplesmente o que vamos usar e quando iremos usar tendo um controle fácil sobre os nossos poderes em jogo.

Outra coisa que pretendem tirar é o bônus de metade de nível aplicado na armadura e dano. Nessa questão em particular, eu discordo totalmente. O porquê de quererem tirar é devido ao fato de D20 ter sido descontinuado, hoje o D&D está na sua 5º edição, não possuem mais motivos de manter essa regra. Na época, precisavam dela para dar equilíbrio ao cenário em comparação aos outros D20, já que em Arton não existem muitos itens mágicos. As raças também são mais poderosas que os D20 padrão pelas mesmas questões. O problema de tirar esses bônus é que classes que costumam usar armaduras leves/médias como Bárbaro, Bardo, Druida, Ladino, Ranger, Swashbuckler ou que não podem usar armaduras como Mago, Feiticeiro, Monge, podem ficar prejudicados por terem CA muito baixa os deixando vulneráveis em excesso. Essa regra ajudava a dar um equilíbrio. Óbvio que classes como Clérigo, Guerreiro e Samurai, usuários de armaduras pesadas, ficariam com valores altíssimos na CA em níveis muito altos em adição a essa regra. Mas o bônus de metade do nível ao entrar no dano, também ajuda a equilibrar as coisas e também serve para as lutas terminarem mais rapidamente. Imagina o quanto seria frustrante se após ter dificuldade nas rolagens, você finalmente acerta o seu golpe e o dano é medíocre porque o bônus não se aplica ao dano? A regra não é complicada, as pessoas que são preguiçosas de ler o livro. O próprio livro, no “capítulo 3: Classes” mostra o padrão de metade do nível em sua tabela, é só seguir a progressão.

Por exemplo, na parte das magias: se uma magia causa uma quantidade variável de dano (como 2d6), esse dano recebe metade do nível no cálculo. Se o personagem fosse nível 6º, ficaria 2d6+3 o dano. Se o dano da magia possui valor natural fixo como a magia doença plena que causa 100 de dano, o bônus de metade do nível não se aplica. Nas armas normais isso também é aplicado. Jogamos 1d20 + força para armas de corpo-a-corpo ou destreza para armas de ataque à distância e se acertamos o alvo o dano é calculado da seguinte forma: dano da arma + força + metade do nível para corpo-a-corpo ou dano da arma+metade do nível para armas a distância. Não é algo tão difícil. E digo mais: no caso das armas a distância, eu acho um pouco injusto e até obsoleta a regra de não incluir destreza no dano. Na 5º edição do D&D temos essa inclusão nas armas a distância. No caso o dano das armas corpo-a-corpo colocam o dano da arma + força e o dano da arma à distância colocam o dano da arma + destreza.

Particularmente, eu não gosto de regras e sistemas complicados. No século 21, ninguém teria paciência de ficar lendo livro de RPG e fazer cálculos parecidos com uma prova de contabilidade. Precisamos de algo prático, flexível e simples, mas tirar a riqueza do jogo tem o risco de deixar as coisas sem sabor. E algo sem sabor, não é algo agradável. Um pouco de matemática simples não mata ninguém. Ainda mais quando uma tabela mostra a progressão e a aplicação da regra de bandeja. É só simplesmente seguir as tabelas. E devemos lembrar um fato muito importante: Esse bônus de metade do nível também está aplicado nas estatísticas dos monstros e personagens do mestre. Imagina ter de recalcular tudo de novo? Mesmo com a promessa de manual de conversão gratuito para as regras atualizadas, pra justamente os antigos livros publicados não serem material jogado fora e ninguém ter a impressão da Jambô ser caça-níquel por querer criar novo módulo básico, já que a sua última reimpressão do módulo foi em 2017, o bestiário que é a parte do livro principal ou suplemento publicado contendo as criaturas usadas pelo mestre em jogo ter de ser publicado novamente é algo chato e temeroso. Mesmo se não for publicado um novo bestiário: calcular as novas estatísticas de cada criatura por mais simples que possa ser se torna trabalhoso devido à quantidade de criaturas existentes no cenário. Então temos de pensar duas vezes se vale a pena tirar determinadas coisas. Às vezes é melhor deixar como estão.

Por fim, eu também compreendo que enxugar as regras é necessário. Devemos facilitar a vida dos jogadores e não atrapalhar com regras e mais regras, principalmente com regras confusas e complicadas. Tirar esse bônus de metade do nível é mais uma solução para desinchar as fichas e facilitar as regras do jogo? Não sei. Só testando para saber. E além dessa regra de metade do nível, com certeza existe outras regras que devem ser repensadas sobre tirar ou modificar antes de fazê-lo.

O Império de Jade; livro de Marcelo Cassaro (um dos autores da Tormenta), mostrou um pouco de como as coisas podem ser simples sem tirar a riqueza do sistema D20. Vamos dar o exemplo com o talento Acerto Critico Aprimorado. No livro Tormenta RPG a regra diz: “sua margem de ameaça com a arma escolhida é dobrada. Este efeito não se acumula com qualquer outro que dobre a margem de ameaça, e é sempre o primeiro a ser aplicado”.

Isso podia embolar a mente dos jogadores, principalmente quando temos de saber o significado de “dobrado” no jogo e cálculos saíam errados. Eu mesmo já cheguei a errar ao calcular a nova margem de ameaça da arma de um personagem que construí. Então no novo livro Império de Jade, a mesma regra ficou dessa forma:

“Escolha uma arma. Sua margem de ameaça aumenta em +2”.

Ai é só você olhar na tabela das armas. Usando como exemplo a arma Katana, que possui margem de ameaça 19-20 para acertar um golpe crítico, com esse talento fica 17-20. Regra simples, sem tirar a riqueza do jogo.

E continuando a falar da campanha de Tormenta 20, o público que apoiar a campanha poderá receber as novas regras para playtest, assim como participar de enquetes que definirão novas classes, raças e outras novidades que podem entrar no livro básico além das classes, raças e regras já pré-definidas.

Teremos no primeiro final de semana (dias 10, 11, 12) uma recompensa exclusiva para quem apoiar nesses dias. O apoiador ganhará a medalha limitada da campanha: Medalha Agente Imperial do Reinado que não será vendido na loja da editora após o financiamento, além de outras recompensas como livro autografado pelos autores, conjunto de dados, possibilidade de você criar um personagem que será oficial no livro etc. Elas ficarão disponíveis até 23:59 do dia 12 de maio!

 E por falar em medalhas… Existe medalhas inspiradas nos 20 deuses do panteão de Tormenta. As medalhas foram com certeza inspiradas nos artefatos coletados pelo protagonista dos 20 Deuses, quadrinho criado por Marcelo Cassaro sobre o mundo de Arton. Então a editora lançou-as como enfeites, brindes, algo para você presentear alguém. Esse mês de maio, por exemplo, teremos o lançamento do símbolo de Thyatis, O Deus da Ressurreição. Temos também na loja uma medalha especial dos clérigos desse mesmo deus, usados pelos astrólogos e protagonista do livro A Flecha de Fogo, Corben. Cada um custa 15 reais e as artes são simplesmente magníficas. Eu mesmo presenteei o meu amigo Garcia, jogador de nossa mesa de RPG, com a medalha do Deus da Justiça e da Deusa das Trevas por serem os pais dos anões e criadores da raça na mitologia artoniana e é claro, ele joga com o seu anão guerreiro Garl Brygger. É algo simples e bonito. Vale tanto a pena que a medalha da Deusa da Humanidade, Valkaria, esgotou duas vezes na loja. Eu espero que tenha uma terceira remessa, pois gostaria de adquirir um para mim.

A campanha está prevista para ter o valor mínimo de 10 reais. O que já te permite participar das enquetes e ficar por dentro das atualizações da campanha. Para ter acesso aos arquivos de playtest (novas regras), o valor previsto é de 50 reais. Existe a possibilidade de receber na própria campanha, outros livros já lançados pela editora como o conjunto de manuais, aventuras/campanhas prontas, quadrinhos e romances. Caso isso não te agrade ou fique triste por não ter condições financeiras, apoiando a revista Dragão Brasil no seu valor máximo de 20 reais (eu pago o valor normal de 7 reais), você também pode receber as novas regras. Mas não se preocupe, pois se você for do meu time que não possuí grana, há chances das revistas mensais virem com os artigos falando sobre as novas regras. Cada revista é lançada sempre na última quarta-feira do mês. Se no fim você se sentir tapeado, só comprarmos o livro que está previsto para ser lançado em meados de Janeiro de 2020. Mas se ainda sim você ficar tão chateado a ponto de nem querer saber sobre o novo módulo básico e novas regras, ou se você comprar o produto e não gostar: temos o bom e velho Tormenta RPG já lançado e seus vários suplementos já no mercado para dar aquela força em sua campanha de RPG com os seus amigos nos dias de folga e diversão. Também existem outros sistemas e jogos como o próprio D&D 5º edição que está previsto a ser lançado esse ano pela Galápagos Jogos, temos RPG publicados pela New Order: Shadowrun, A Lenda dos Cinco Anéis, Numenera, e outros. Temos 3D&T publicado pela Jambô; edições antigas do D&D vendidas no próprio site da Wizards of the Coast, ou até Vampiro da White Wolf. Ou você mesmo usa regras genéricas em seu próprio RPG, regras que todos usam e inventam por ai. O que quero dizer é que não é o fim do mundo e isso não é motivo para você detestar Tormenta e largar de vez o RPG. Sempre teremos alternativa para continuar esse hobby velhaco, mas maravilhoso.

Link do cartase: https://www.catarse.me/tormenta20

Link do site Tormenta 20: https://tormentarpg.com.br/

Link para apoiar Dragão Brasil: https://apoia.se/dragaobrasil

Link para as medalhas: https://jamboeditora.com.br/produto-tag/medalha/

Link para adquirir edições anteriores: https://jamboeditora.com.br/categoria/dragao_brasil/numeros_antigos/

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